quarta-feira, 30 de abril de 2008

O eterno retorno

Estou em São Paulo.
Pro Rio fui com o sol, pra cá vim com o frio.
Acabei minhas pedaladas, nesta caminhada, pelo litoral, na cidade mais exuberante que passei. Rio.
E vou acabar os escritos na minha cidade natal.
Voltei pra casa mais uma vez.
A vinte e tantos anos que faço esse retorno.
e nunca volto. chego. mas não volto.
Sempre tento encontrar a natureza que me gerou, e o que encontro é um misto de mixtos, uma massa amorfa de imprecisões. Diferente da crença de que natureza é passível de compreensão, de mensuração, de definição. Encontro apenas a possibilidade de que esse caos é minha natureza, que vem de um baiano, uma portuguesa, uns de perto, uns de longe, uns pouco, outros menos. Sem um lugar, sem uma raiz definidora. fatores que facilitam a perdição, no sentido católico também, mas falo no sentido geográfico. onde?
Enquantum isso vai si ordenando, vou vendo a paissagem.
As cores insaturadas do frio são quetionadoras, você tem que dedicar mais atenção para compreendê-las. Com sol as coisas são mais obvias.
Quando cheguei, peguei 13 grauss. Estava na pilha, com "fome de tudo", o frio não fez dor, foi só cenário. De bermuda e chinelos ia com manipura pegando fogo, foi fácil. Porém bastou dois dias pra o frio chegar na espinha e endurecer os dedos, e ainda escutar "você não viu nada".
"Passei bem perto do chão", rasteiras, pernadas, brigas de faca, eles me viram mas eu não os vejo ainda.
Um Abismal, "maloqueiro não se assombra com qualque coisa".
Sento no beiral e fico esperando as decisões.
Alguns trabalhos pra trabalharador, e pensar menos é a primeira. Ainda de fastio.
As idéias são mais complexas nas zonas geladas, prefiro a simplicidade do calor do mar.
Rio de Janeiro, ainda quero conhecer mais, santa tereza é uma olinda pra bondinho.

Aos bicicleteiros ou somente cicleiros, tenho algumas recomendações:
1) O litoral de Alagoas é um paraíso para o corpo. As planitudes dos caminhos deixam os olhos mais livres aos belissimentos. De Maragogi à Penedo são, por volta de, 250 km de belezas e facilidade para o corpo. O trecho que aconselho à todos é de Japaratinga à Barra de Santo Antônio por baixo, pois a BR passa ao longe, possibilitando paisagens mais preservadas e caminhos sem caminhões ou trânsito. Existem algumas barras de rios para se atravesar, mas quando não há balsa, existem barqueiros que passam cada pessoa com sua bicicleta por 1 realis.
Para quem pensa em fazer pela areia da praia, precisa estar bem leve, mas nesse caminho a estrada passa sempre perto, é só parar e dar uma caminhada de no máximo 15 min e priu. marzão. É um dos trecho que ainda vasculharei mais.
Ainda penso em fazer todo o litoral de Alagoas a pé e pela praia. bem leve. De Maragogi ao Peba.
Um trecho que me deixou curioso é o do Gunga pra Jequiá pela areia da praia, falesias e boca de rio "é bóia".
Do Pontal de Coruripe até o Miaí de Cima é tranquilo de bicicleta pela praia. mesmo pesada. maré seca e pode se ir até mais longe, Feliz Deserto ou até à voz da maré. A rodovia também é limpeza, canteiros de flor do rosto, bunito.
As dunas do Peba também me deixou de orelhas em pé, quero voltar pra conhecer.
"a gente só faz o que pode".
2) Sergipe é bruto. Onde se localiza a beleza do bruto?
isso, isso. no fundo. Mas pra ir fundo é preciso sentir dor. Pra alguns ter que desembolsar alguns para um helicóptero, outros uns arranhões na pele e cansaço no corpo, outros a perda de algumas tecnologias...hehe.
De Neopólis até o mar é um bom caminho, mas de uma próxima vez tentarei um barco que atravesse a foz do São Francisco do Pontal da Barra(AL) até o Pontal do Arambipe(SE), ou de Potenji e dar uma passeada pelas ilhas do rio, Ilha da Fitinha e outras até o Cabeço.
Porém é um trecho que ainda precisa de uma pesquisada in loco, pois é importante saber qual o melhor caminho pro transporte escolhido, ou qual o transporte para o caminho escolhido.
De Pirambu pra Aracaju não tive curiosidade pela praia, porém a estrada de asfalto não é para bicicletas. Em dias de semana pode ser mais tranquilo, mas sem acostamento é foda.
As dunas e os campos do norte são engrandecedores.
dos 12 km ao norte do projeto TAMAR, em Pirambu, podem ser feitos de bicicleta na maré seca, acredito ser esse o padrão desde o velho Chico. Maré seca. Ah! se tivessemos 3 luas cheias no mês. As noites seriam mais iluminadas.
O sul me deixou curioso, mais preciso entre praia do Saco e Mangue Seco, quero descobrir a possibilidade de atravessar a boca do rio Real por baixo. Mangue Seco, saudade de um expectativa. na próxima.
3)A Linha Verde é preciso fazer devagar, porém motorizado. Uma moto seria o ideal, tenho na minha idéia. Conde, Itariri, Subaúma, Massarandupió, Costa Azul, Praia do Forte, Arembepe..., entar e sair com paciência e motor.
4) Morro de São Paulo, Camamu, Barra Grande até Itacaré merecem uma viagem só. quando for lá, vá só pra lá. tem muita coisa. Acho possivel ser feito de bike, mas vai ter bastante barco.
5) De Itacaré para Ilhéus também deve ser massa.
6)A Rota do Descobrimento é o segundo paraíso pra os cicloturistas. Pegue um Barco em Canavieiras, 1 hora e meia por entre os becos dos mangues dos rios Pardo e Jequitinhonha. Desce em Belmonte e vapuu. (Ainda chamam os portugueses de burros).
Mugiquiçaba, Guaiú, Santo Antônio, Santo André, Cabrália, porto seguro, Arraial e Trancoso.
Chuchu beleza, tem pra tudo que é gosto. mas não se economiza nas belissitudes, porém a luta entre indios e ricaços do brazil, fecham algumas portas. De um lado as reservas, que ainda tem uma certa abertura, e do outro os endinhaerados que fecham tudo, cães bravos, soldados que se vestem de matrix, e nois comendo poeira de suas hi luxss.
Porém essa loucura, possibilita a visão de verdadeiras vilas globais, "ta vendo aqueles galêgos ali, com cara de longe, nasceram aqui, são nativos", ruas de comércio onde indios, negros, bretãos, germânicos e outros, são todos nativos.
Qual é mais natural, se discute? Os indios? De onde, da Índia?
7)De Trancoso até Corumbal, aconselho, de coração, façam à pé.
o caminho tem que ser pela praia, pois a estrada de terra mais próxima do mar, fica longe.
É o trecho que cruza a Reserva Monte Pascoal, onde ainda vivem indios Pataxós. Vale subir em Caraívas(que fica bem na beira do mar), e em Barra Velha, que fica uma pouco mais a cima, mas é uma locolidade onde precisa ser indio pra se habitar. Umas berlotas do solto abrem algumas portas. Eles não podem cultivar, tem fiscalização dos própios indios. Coisa de empresa que tem que estar legal.
8)De Corumbal até Cumuru, fiz por uma estrada de terra batida, que segue a beirar o mar uns 10km, depois se afasta e dá uma volta danada. Mas já soube que dá pra fazer por baixo, passando pela Barra do Cahy, porém eu faria a pé pela praia. 26 km.
Na minha bike, 1 hora de carro é igual a um dia de pedal, e uma hora de bike é um dia andando. isso com a estrada sem muitos desafios. plano.
Na verdade, de Trancoso à Cumuruxatiba tem que ser feito à pé. é muita coisa pra se ver e fazer.
9)Ainda na Bahia, fiquei também curioso com o trecho de barco de Caravelas até Nova Viçosa, que se for em dia de semana tem que se fretar um barco, pra isso é importante ter gente, porém se for no sábado pode se pegar um lotação, pois tem o pessoal da feira que parte por volta de meio dia uma da tarde. deve ser massa.
E de Nova Viçosa pra Itaúnas é uma toada só, passando por Mucuri. E depois ES.
10)Espirito Santo inteiro foi uma desistência. Ainda volto. Degredo, Povoação, Regência(quero ver o Rio Doce), Santa Cruz, Setiba, Guarapari, Piúma, Marataízes, Neves...
11)Rio de Janeiro. Curiosidade no norte: Atafona e Quissamã. De Macaé pra Buzios, passando por Rio das Ostras(quem gosta de Jazz, é o pico durante o mês de maio, 21 à ...) e Barra de São João, achei sem graça, porém de Buzios até o Rio vale pedalar. Buzios, Cabo Frio e Arraial valem uns 15 dias pra ver. passei rápido por isso ainda volto.
Depois do Arraial segue o trecho das restingas e lagoas, com estradas planas, não muito boas para ciclistas, mas a pouca densidade de carros ajuda. De um lado o mar do outro a lagoa. Terceiro paraíso do pedal que passei.
Depois a estrada sobe um pouco pra Araruama e Bacaxá, mas vale ver qual é de ir pela praia. Itaúna até Saquarema. Ô mar de onde forte da besta fera.
De Saquarema até Ponta Negra(que eu só queria chamar de Pedra Negra) tem uma estrada com inicio de asfalto até Jaconé depois de barro batido, esta bem esburacada mas viável.
De Ponta Negra até Maricá a estrada continua de asfalto beirando o mar. caminho fácil.
De Maricá até Itaipu-Açu, o caminho é de restinga e próximo da praia, mas soube que também pode ser feito pela areia, maré seca e coisa e tal. De Iatipu-Açu pode se subir 2km até uma estrada que ruma pra Itaipu ou ir pela areia. Eu não fiz esse caminho, pois subi antes pra Inoã e peguei a BR até o Rio, trampo feio e desgastante.
Incentivo desbravarem a serra da Tiririca por baixo, soube de uma subida ferroz de Itaipu-Açu pra Itacoatiara e depois é Camboinhas, Praia do Sossego, Piratininga as chamadas praias oceânicas de Nitéroi.
11)Quero conhecer algum cicloturista que fez o sul do Rio, outra desistência minha.

é isso.
Ainda sou um medroso, mas um pouco mais consciente de meus limites, gracidades, belessimentos, abismais, meândros, situidades e clarecitudes. Não diferente mas resignado.
Mais dolorido e mais sereno, menos culpado mais inocente. Não fiz por méritos fiz por merecer.
Não fiz por coragem fiz por ignorância. fiz pela minha idade, fiz pelo meu caminho, fiz por poder.
Só fiz porque podia. fiz por indecisão, imprecisão e inadequação.
Consegui me decidir e me precisar, mas continuo inadequado. doido pra se aquietar, não por fora pois nesse já sou, mas por dentro. uma rotina. precisa. preciso.
Aos amigos, que se enclarecem aos anos, grato pelo pensamento, me salvou um bocado.
Á familia, aqueles que são e que se consideram, incondicionaus.
Ólheo a província paulistana de uma janela fria, vejo os outros que não me vêem, o céu ficou bunito hoje, ficar ao sol é lagartar. Conheci os suícidas, os homícidas, os floricidas, os criadores, os doloridos, os babões e os lúci-feres(-dos), as ninfas e as rainhas, as pedras e os lamas, o de verdades e os de bricadeiras, os escondidos e os expandidos, minha humanidade, cadê minha natureza, taí, num tem pegunta sem resposta, elas se respondem, é só parar de falar e começar a escutar. É velho mas ainda é vivo. e se é vivo é porque se faz necessário.
O bom da subida é a descida.
subi.
agora é olho vivo, mão de cara pro freio, e banguela nela.
cuidado!
vida na pista.
e até a próxima súbida.

p.s.
ainda postarei os desenhos

5 comentários:

Diogo disse...

É rochedo!!! Mandou muito bem mermão!!! Fluidez e Abraços!!!

Anônimo disse...

Gostei muito das histórias, dos lugares e das pessoas que fizeram parte dessa sua jornada. Valeu, Maurício!!! Li alguns comentários e achei as mensagens do seu pai sensacionais!!!

Um abraço,

Mercinho.

Vivian Pires disse...

Vais reunir tudo e publicar um livro depois??

Vivian Pires disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
R.R.Dias disse...

Gostei do seu relato. Tenho vontade de pegar minha bicicleta e sumir da rotina por certo tempo. Quando leio coisas como a sua, dá sonho.


Boa sorte.