sexta-feira, 28 de março de 2008

Cajueiro dos Papagaios

Acordei.
Embassei a manhã, até ser enxotado da pousada. Relicário.
Consegui contato com Lula, mas só poderia ir pra lá depois das 7 da noite.
Vou rodar a cidade e fazer hora.
Gostei de Aracaju, um misto de Recife e Maceió.
Cidade banhada pelo rio Sergipe e pelo Mar.
O rio deixa a cidade mais leve, os mangues parecem diluir a morbidez sólida do concreto.
Gosto de Recife pelo mesmo motivo.
Parques públicos, praças arborizadas, mercado público beira rio.
Pedalei até o centro, procurando um lugar arborizado, com um orelhão por perto, uma lan house e um lugar pra comer. Praça da Catedral.
Assim que cheguei na Praça fui comprimentado por um indio urbano que vendia sua arte, em seguida um hippie também ficou de saque. me senti protegido. Sentei.
Desenhei, planejei, comi, tomei uma cerva, telefonei, internetei, até se passarem 5 horas.
Liguei pra Lula e rumei sentido à Suissa.
Ele tava meu cabisbaixo, pois tinha sido demitido nesse mesmo dia(ô pé frio dos inferno).
Tumamo umas cerva tentando disanuviar até a hora do sono.
Terça Feira, acordei 6:30 e comecei a agilizar minha partida.
Bicicleta pronta, cuidei com destino a Mangue Seco.
Esse foi o dia que mais pedalei em horas e em quilômetros.
8hs e 90km.
As praias do sul de Sergipe são mais habitadas que as do norte.
No projeto eu iria até a praia do Saco(limite sul) e atravessaria o rio Real até Mangue Seco. Doce Ilusão.
Meus guias me convenceram que essa travessia não é viável, teria que passar a balsa até Terra Caída e rumar mais 12 km até o Pontal pra conseguir barco mais barato.
Pois para se chegar a Mangue Seco somente de barco, e se perder o horario das lotações(5reais)temos que fretar(eu perdi), pagando de 30 à 40 contos. Fudeu.
Pra piorar não tinha medido bem o dinheiro e só estava com 15 no bolso. Precisava de um Banco do Brasil.
Me disseram que eu encontraria um em Indiaroba, cidade limite de Sergipe mais ao oeste.
20 e poucos km até lá.
Minha meia sorte foi que na balsa para Terra Caída passava um caminhão que iria próximo. Me deixando à 7km de Indiaroba.
Segundo trecho não pedalado da Viagem. Desejo viajar mais vezes de caminhão.
Me deixaram num trevo, e depois de 1 hora de pedal cheguei em Indiaroba.
4:30 da tarde.
"boa tarde, a senhora sabe me dizer onde tem um Banco do Brasil aqui"
"aqui num tem Banco do Brasil não moço, só em Estância"
ESTÂNCIA = 37km de distância com ladeiras.
Num rolava mais.
Como dormir e comer com 15 conto.
Fui pensar perto do rio. Indiaroba também é banhada pelo rio Real.
Parei o camelo. Só foi eu descer da bicicleta que escuto.
"HELOU GRINNGOU"
HEIM, como assim gringo?
Foi na medida pra mim.
Dei uma risadas e fui até ela.
Ela envergonhada, depois de escutar meu sotaque de cabra da peste, tenta se esconder de mim. À procuro querendo saber de um lugar barato pra dormir.
Ela em companhia de uma amiga me diz: "a vizinha dela".
"10 reais com café da manhã"
eu digo "é não?"
caralha, foi pela cor e pela letra.
ainda sobra cinco conto pra jantar, e amanhã cedo, renovado, pedalo até Estância.
Dona Raimunda e seu Hotel Senhor do Bomfim. e bom fim pra mim é cama.
A mulher tem dois quartos em sua casa que ela disponibiliza para visitantes.
A velha, a filha, duas netas e uma empregada. Cinco Mulheres e um GRINGOU.
Me ajeitei, tomei um banho, e fui comprar o de comer.
bananas, laranjas, umas bolachas masudas, e uma manga gigante.
Pela noite chegou outro hospede. Hotel lotado.
Um senhor negro, magro, abriu sobre a mesa da cozinha umas plantas baixas de arquitetura, e ficou trabalhando.
Eu fui pra frente da casa, pegar uma fresca e tentar escutar alguma história de Dona Raimunda.
Bem dificil, sua memória tá com alguns bugs. Normal. Silêncio. Chuva. Decidi que amanhã iria direto pra salvador de ônibus.
Renildy já tinha me falado mal da linha verde, inóspita e coisa e tal, e Lula tinha me dito que tinha várias ladeiras. Não quis arriscar. Vou pra Salvador.
Cama.
Mosquiteiro, ventilador de zuada e um sono tranqüilo.
Acordei na pilha.
A chuva também.
Depois de uma manga gigante, algumas bananas, laranjas e bolachas.
Capa ni mim, lona no camelo.
E chuva chuva chuva chuva.
fui escutando o novo cd do wado, Terceiro Mundo Festivo, pode ser baixado em http://www2.uol.com.br/wado/ .
paupaupaupuapuapuapuapuapau.
ainda tinha esperança de carona em algum caminhão, principalmente quando as ladeiras me obrigavam a puxar o camelo à pé.
A rodoviária é a primeira coisa que avisto em Estância.
"pra salvador?"
empresa Bomfim.
"meu rei, só de 17:00, e é Golden"
50 e tantos contos, mais a taxa de excesso de badagem pela bicicleta, sessenta e tanto.
porra!!
Vou na cidade tirar o dinheiro.
E dou uma descansada na Rodoviária pra pensar o que fazer.
Decido pegar um pra Alagoinhas(15:30) e de lá um pra Salvador(19:30). gastando 38 conto.
Vou nessa.
Falei com Rafael. Só não sabia como seria ir de bike da rodoviária até a casa dele, mas vamo nessa.
Gosto de viajar de ônibus.
Talvez só viaje de avião se tiver pressa ou se tiver que atravessar o mar.
Senta do meu lado uma moça que mora em Salvador e vai fazer o mesmo circuito que eu.
Ela se entretêm com Paulo Coelho, mas dorme logo.
Chegamo em Alagoinhas de 7 e saimo de 7 e meia.
Salvador.
O vigia me fala que pra o Stela Maris dá uma hora de bicicleta. massa limpeza. Era 10 da noite. Chego lá de 11. tá no nipe.
Mas quando ligo pra Rafael ele insiste em me buscar de carro.
Deu trabalho por a bike na mala, mas rolou.
tô aqui.
ontem fui na praia.
hoje dei um grau no camelo.
Tenho planos pra pegar outro ônibus até Ilhéus. Quero pegar somente a estrada do Cacau.
A galera aqui insiste que eu passe por Camamu e Barra Grande, tô de pensação.
Domingo me mando, seja lá pra onde flor.

3 comentários:

Laurindo disse...

Eu já tava desconfiado!
Agora tu entregou o ouro.
Contou direitinho o plano.
Assim a gente fica mais sossegado.
Inda mais depois daquela entrada nos Serigipes.
Aos fotos estão bacanas. Têm alguma coisa de chapliniana nelas... aquelas estradas... um rumo diante dos olhos e tome passo (no caso, pedalada) prá frente na direção deus-sabe-prá-onde mesmo sabendo que se deve chegar alguma hora nalgum lugar.
Cê tá bonito de dá gosto!

Teu pai!

Diogo disse...

e ai meu brother...que bom que as luizinhas foram uteis...tamo aqui emanando boas vibrações...fica com deus...grande abraço!!!

Diogo

Anônimo disse...

Maurício,

És mesmo aventureiro.
Pelo que vi sabes curtir a natureza com tranquilidade, isto é bom também!

Faça seu relato e envie, assim, de cá todos viajam contigo.

Todo cuidado é pouco.
Deus te acompanhe sempre e fique ligado a ele.

Boa viagem, Boa sorte,
Edineia