segunda-feira, 24 de março de 2008

Cem Imagens

Do Pontal saí umas 9 da manhã, depois de um delicioso café da manhã e de uma despedida amigável do casal de argentinos Lucas e Roxio e da paulista Daniela, rumei pela praia até o Miaí de Cima.
Esse trecho foi vibrante. Começou com a travessia de um rio em uma jangada(não canoa) de 2,5x1 mais ou menos, tensão da porra. mas foi massa o pescador me foi muito gentil e conversou bastante, ajudando na tranquilidade da travessia.
não cobrou nada, na brodagem sincera.
Depois foi um trecho longo de areia dura, praia mansa, vegetação rasteira e um nuvem negra a esquerda. Ela me acompanhou por todo esse trecho, sempre ali à espreita.
Quando cheguei no Miaí de Cima, senti que ela ia cair e subi pra debaixo do teto de um bar.
Chuaaaaaa! Assim que me acomodei.
Minha tristeza foi descobri que uma lata de verniz, que tinha comprado pra o acabamento de umas pinturas em pedra que estava fazendo, estorou dentro da bolsa.
:(
umas duas horas depois, bolsa limpa, tudo limpo, céu ainda anuviado.
Lona na bagagem, capa ni mim e continuei.
Subi pra rodagem.
Chuvia pouco mas constante.
Essa estrada é muito parecida com a do trecho entre Japaratinga e Barra, tranquila e plana.
Depois de Feliz Deserto a paisagem muda. Não mais coqueirais, começa uma vegetação de brejo, "Seu São Francisco tá perto".
Passo pela entrada do Peba e rumo pra Piaçabuçu.
Ainda chovia.
Chegando, pego a reta pro Rio, seco pra ve-lo.
Acho que meu cansaço e minha ansiedade diminuiram seu tamanho.
Sua dimensão na minha cabeça era muito maior, me lembrou um braço da Manguaba.
Com a margem do outro lado bem ali, à medida de algumas braçadas.
Parei no Bar do AlôAlô, comi um prato de pilombeta por 4 conto ( o cara do bar no Miaí me recomendou quando fosse por Piaçabuçu), e de sobremesa uma manga que trazia do Pontal. Já Escurecia, a chuva ajudava, eram 2 e meia. Descansei meia hora.
Liguei pra Melchior(contato em Penedo) e cuidei.
Brejo, chuva, brejo, mais chuva, alguns bicicleteiros acompanhando, Elomar no Mp3(na quadrada das águas perdidas), 5 e meia da tarde em Penedo.
"Ciudad Vieja".
Sexta da Paixão.
Izabela, grande menina.
Melchior não tava e me passou o contato de Izabela pra pegar a chave.
Ela me apresentou a casa como a "Mansão", senti que ela queria dar um tom de terror ao nome. De fato a casa é cheia de sombras. Os interrupitores sempre escondidos e o único banheiro mais escondido ainda.
Pé direito alto ajuda aos barulhinhos se propagarem.
O cansaço não me deixou ver nada.
Já de manhã.
Resolvi ficar esse Sábado de Aleluia pela cidade pra descansar e conhecer.
Cidade Vazia, muita casa desecupada, vende, aluga.
À noite tive a felicidade de conhecer a mãe de Izabela, Marisa. Mulher de fé.
No inicio me chamou de Louco, mas depois assumiu admirar minha coragem, "A fé remove montanhas né meu filho".
Uns copos dágua, algumas palavras e fui dormir.
8 da matina saí pra entregar a chave, me despedi e dessi ladeira sentido Pirambu.
Depois senti não ter uma foto com elas.
O velho Chico em Penedo me pareceu mais velho que em Piaçabuçu.

3 comentários:

Laurindo disse...

Aê, meu véio!
Tô gostando. Tua prosa vai te levar longe. Firmeza. Tais beirando o fim do conhecido, enveredando verdadeiramente nas quebradas do mundé.

Teu pai. (Que de apreensivo está vazando para confiante).

Anônimo disse...

Grande Maurício.

Meu velho, mete bronca. Vamos acompanhar por aqui. Sucesso, camarada.

Abraço,
J.

[andre.moraes | adryana.rozendo] disse...

mauricio rapaz,
tás botando pra torar mesm né?!
tu é um caba bom.
abração e tamos aqui esperando pra jogar fubica visse.